domingo, 7 de novembro de 2010

Mac Donald's

Muitas vezes quando vamos a um restaurante de comida rápida nos deparamos com um gracioso planfleto forrando nossas bandejas. Se você está acompanhado, o tema da mensagem acaba sendo comentado pelo grupo, ainda que rapidamente. Mas se você está sozinho, aquele simples pedaço de papel se torna um companheiro e te distraí enquanto se come.
Parece tão cool. Os desenhos, as ideias são tão legais.


É aí que você se engana! Por trás da feição cool destes anúncios se esconde um discurso de emburrecimento de massa. Aquele panfleto está nada mais do que simplificando coisas muito complexas, porque quem o faz acredita que você, consumidor, prefere a rapidez (até mesmo a imediatez do prazer do sabor) ao mundo complexo em que estamos inseridos. Você é tratado com um burro, incapaz de compreender o outro e a si mesmo. Ao simplificar, a mensagem se torna errada e as informações bastante inverossímeis.
Vou analisar um desses panfletos, veiculados por esses dias nos restaurantes Mac Donalds do Brasil. Espero ao final da análise que você entenda algumas das manobras da linguagem utilizadas pela culturalização de massas.
Eis o panfleto:
Senti-me na obrigação de esclarecer este anúncio, pois, mais uma vez, é tácita (e rídicula) a maneira como a língua(gem) é abordada.
Vejam, que bacana: "todo o mundo diz meu amigo". Venham, vamos comigo ver como diferentes "culturas" dizem "meu amigo". Mas, olha, preste atenção, sou eu, branco, rico, inteligente e que como no Mac Donalds quem vou dizer a você, também branco, rico, não tão inteligente mas que também come no Mac Donalds, como a cultura dos outros, muito distante da minha, diz "meu amigo".
De cara, o preconceito velado e a exotização da cultura do outro se (re)vela. E se analisamos mais de perto a linguagem, tanto no sentido semiótico quanto no linguístico, veremos que nem tudo é tão velado.
A começar pelo título do panfleto, o restaurante joga com o sentido da expressão "todo mundo". "Todo mundo"pode significar "o mundo inteiro" e também "muitas pessoas". Mas notem que entre as palavras "todo" e "mundo", há um artigo "o": "todo O mundo". Deste modo, somos induzidos a pensar que se trata mais do primeiro sentido da expressão. Se levamos em conta o desenho do globo terrestre por debaixo do título é ainda maior nossa inclinação para o sentido apontado.
O primeiro problema está revelado, já que ficamos esperando saber como é "meu amigo" em todas as línguas do mundo. O panfleto apenas trata por volta de uma trintena de idiomas.
Ainda no título há um problema menor, pois também está prometido que eles mostrarão como se "DIZ" "meu amigo". Na verdade, ainda que os dizeres dos personagens estejam mimeticamente copiando a fala (já que se utiliza de um recurso comum nas histórias em quadrinhos: os balões), ela está muito distante de ser uma "fala" real. Entendo que o verbo "dizer" tenha muitos sentidos além do "dizer".
Vamos agora dividir nossa análise em dois vieses: um semiótico e depois um linguístico.
Semioticamente, ou seja, a partir da observação das imagens e seus significados, notamos que há uma tremenda estereotipização das culturas. Vikings, sombreros, baguetes, vacas, deuses, colares, vampiros, macarrão, dragão, bonecas, leprechaus e elefantes representam muito significativamente, nesta ordem, os dinamarqueses, os mexicanos, os franceses, os holandeses, os gregos, os havaianos, os romenos, os italianos, os chineses, os russos, os irlandeses e os indianos.
Ao tratar do estereótipo o restaurante contribui para massificar as pessoas, nivela-se todo mundo. Estamos diante do "Perigo das histórias únicas", que conforme discorre Chimamanda Adichie, nesta palestra, o estereótipo não é de todo equívoco, apenas não trata o outro por completo! Incompletude perfeita para figurar num panfleto que forra a bandeja de um restaurante de comida rápida.
Três casos particulares merecem uma análise pormenorizada: o do grego, o do tupi-guarani e do latim.
Há um equívoco enorme na representação imagética desses três "idiomas" .
Grego: seriam os deuses os falantes do grego? O que quer representar aquela medusa verde dizendo "philos mou!"? (É o que ocorre também para o romeno).
Latim: seriam os franciscanos os falantes de latim?
Tupi-guarani: seguramente, o branco ao lado do índio é um antropólogo. Por que os índios não são amigos de outros índios? O que um branco está fazendo ali?
Os três casos têm em comum que o estereótipo está completamente equivocado. E então caímos no quesito linguístico. No meio de línguas modernas, introduz-se três línguas antigas. Não sabemos se o autor do panfleto quis abordar o grego clássico ou o grego moderno, de qualquer modo se trata de duas línguas bem diferentes (a relação entre elas é a mesma que há entre o latim e o português brasileiro), mas supomos se tratar da antiga, já que modernamente não há gregos de toga, tampouco se venera deuses mitológicos na Grécia moderna.
No caso do latim, a língua que hoje em dia está limitada ao reduto clerical, a imagem trazida à baila é a de um padre franciscano, que escreve a pena (imagem que nos remete as práticas ocidentais de uma religião que remonta ao século XVI). Que latim é esse? O clerical, o do Vaticano, o clássico?
O desastre é ainda maior para o tupi-guarani. De que língua se está falando em concreto? Tupinambá, guarani (e qual guarani)? Tupi-guarani não é uma língua, é uma família linguística! É como se alguém afirmasse que fala germânico, românico ou simplesmente itálico, ou seja, nenhuma língua específica! Está claro que o restaurante não conhece nada sobre línguas, muito menos sobre as indígenas. E, ao optar pelo estereótipo, ele apaga toda a diversidade dos idiomas indígenas, oculta, assim, as demais, relacionadas com outras famílias/troncos linguísticos, como o Macro-Jê ou o Aruaque, por exemplo.
Mais uma vez o ponto de vista do europeu está posto.
Neste sentido, ainda devo falar da grafia apresentada para os diversos idiomas. Todos eles estão apresentados a partir do alfabeto latino. Qual alfabeto é usado para as línguas europeias mesmo? E para o japonês, o grego, o coreano, o vietnamita, o turco, o árabe, o chinês, o indonésio, o russo e o hindu? Em que alfabeto os seus falantes escrevem?
Letrinhas estranhas poderiam espantar a clientela do Mac Donald's no Ocidente, não? Mas o engraçado é que, para certos idiomas, a ortografia é respeitada demais. Notem o espanhol, para este respeitou-se a pontuação, como podemos constatar pela exclamação invertida no começo do enunciado (¡Mi amiga!). Desse modo, o panfleto vai mostrando sua injustiça exotizante e etnocêntrica.
Provavelmente o anúncio deve ter vindo dos EUA, depois adaptado para o português. É pelo russo que percebemos essa meleca de adaptação: Moi Droog!
O "o" duplo demonstra uma regra ortográfica do inglês, que o pronunciaria como algo semelhante a um "u". Em português o duplo "o" não tem sentido. Os brasileiros, respeitando as regras de ortografia do português, tenderiam a pronunciar um "o" longo, quando na verdade a adaptação ortográfica deveria ser "Moi drug".
Assim, já posso dizer que o panfleto, além de não respeitar as culturas alheias, desrespeita a ortografia do idioma oficial do Brasil.
Aposto que quando você come ingenuamente seu hambúrguer num desses restaurantes, você não percebe como sua inteligência é menosprezada.
Nem "todo o mundo" conhece a fundo as informações específicas das línguas abordadas. Nem "todo o mundo" pode conhecer as culturas retratadas. Mas o que o panfleto sem dúvida faz é tratar de emburrecer "todo o mundo".
Presta atenção. Não seja um leitor passivo!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Socorrista




Sob o título “Palavras da moda”, o professor Sírio Possenti abordou, no dia 21/10/2010 na sua coluna semanal do Terra (aqui), a ocorrência da palavra “socorrista” nos jornais brasileiros. Vejam:
Nas últimas semanas, especialmente a propósito da situação dos mineiros chilenos que finalmente foram resgatados, falou-se muito em "socorrista", que dicionários registram, mas cujo emprego era absolutamente raro (eu nunca tinha ouvido). No dia 16/10/2010, ouvi também "resgatista". O jornal falava de um desmoronamento em mina chinesa. Por algum tempo, desastres assim estarão na moda, acho. Como alguns bispos e pastores que logo desparecerão da mídia.
O Houaiss registra "socorrista", mas não "resgatista". Mas é fácil ver que se trata da aplicação da mesma regra derivacional: acrescenta-se o sufixo -ista a "socorro" ou a "resgate". Em ambos os casos, a vogal temática "cai" (-o em "socorro", -e em "resgate").
Procurei -ista no mesmo dicionário, já que uma de suas características é fornecer diversas informações sobre os sufixos muito produtivos. Manda ver -ismo, o que equivale a dizer que palavras em -ista têm um sentido associado à palavra correspondente em -ismo (getulismo, getulista; socorrismo, socorrista). O dicionário fornece diversos sentidos de -ismo e, claro, de -ista: em getulista, -ista significa adepto, simpatizante, seguidor; em socorrista, o agente (do socorro).

Ao ler o título do artigo, fiquei curioso para ver como o professor explicaria a ocorrência abrupta da palavra “socorrista” e o surgimento de “resgatista”. Fiquei esperando uma explicação sobre o porquê do modismo das palavras. Mas não foi o que aconteceu, Sírio apenas explicou suas morfologias e constatou que “resgatista” ainda não está dicionarizado.
Esperava uma resposta que para mim era óbvia, mas que não apareceu no resto da coluna. Por isso estou escrevendo este texto, para tentar explicar de um jeito diferente o que é comum no contato entre línguas. Aproveito o mote e falo também de outras palavras, que não necessariamente estão na moda e que aparecem ou se tornam freqüentes graças ao mesmo fenômeno.

***

Vamos lá:

O fato, o de que mineiros ficaram presos em uma mina, é chileno. Certo? E no Chile a língua oficial, ou seja, a língua da grande imprensa é o espanhol! Coincidentemente a palavra para o que em português dizemos/escrevemos “salva-vidas” em espanhol é “socorrista”.
Agora ficou fácil entender como “socorrista” veio aparecer repentinamente no nosso idioma.
É muito comum no meio jornalístico que notícias sejam “copiadas”. Qualquer um pode fazer uma busca no google e constatar que notícias muito parecidas aparecem em jornais bem diferentes. Este é o preço do jornalismo eletrônico, que tem de ser rápido e atualizado: perde-se a fidedignidade em troca da velocidade. Vocês se lembram quando a mídia eletrônica publicou a morte do senador Tuma, um mês antes, de fato, dele falecer?
Pois o que acontece com “socorrista” é o mesmo: os jornalistas brasileiros copiaram a palavra do idioma irmão.

Vejam as manchetes dos jornais brasileiros:

1) Socorristas da mina San José viram exemplos de coragem no Chile (14/10/2010)
(aqui

2) Último socorrista é resgatado e termina missão na mina (14/10/2010)
 (aqui)

3) Socorristas também são considerados heróis do resgate no Chile (14/10/2010)

4) Médico-socorrista chega até os mineiros soterrados (13/10/2010) 


E agora a dos de língua espanhola:

1) Manuel González, último socorrista que salió de la mina San José (14/10/2010) 

2) Con salida del socorrista Manuel González culmina exitoso operativo de rescate minero (14/10/2010)
(aqui




Podemos notar que a palavra “socorrista” aparece tanto nos jornais de língua espanhola como nos jornais brasileiros.
Embora o Houaiss registre “socorrista”, a palavra está nitidamente decalcada do espanhol. Os jornalistas capturaram a palavra que não soou estranha ao português (respeita as regras fonotáticas e ainda está registrada em dicionário) e introduziram em seu léxico corriqueiro.
Exemplos semelhantes estão esparramados a revelia em nossa língua, oriundos de muitas línguas, mas, claro, bastante originários do idioma de maior prestígio econômico. Na própria Lingüística há muitas palavras que são “traduzidas” estranhamente ao português. Digo “estranhamente” porque o português pode até registrar um verbete para o termo, mas o que se faz é adaptá-lo do idioma fonte. É o que acontece, por exemplo, para o termo “otimalidade”, usado na Lingüística, que é preferido a “otimidade”, já que vem do inglês “optimality”.
O espanhol é um idioma que favorece bastante este tipo de “empréstimo”, já que temos uma estrutura fonética muito parecida, além de uma história lingüística bem próxima.
Ninguém desconfia hoje que palavras como “barroco”, “beldade”, “charque”, “tropeiro”, “aficionado”, “maciço”, entre outras tantas tão comuns na língua portuguesa tenham se originado no espanhol.
Mas não é bem isso o que acontece com “socorrista”, já que a palavra também existe em português. Neste caso, o espanhol apenas “ressuscita” uma palavra que não é frequente em nossa língua.
Existe muito léxico comum entre ambos idiomas, mas a frequência de uso deles é muito diferente. Exemplos de palavras freqüentes em espanhol e infrequentes em português: “quedar”, “enamorar”, “banhar-se” (a depender da região do país) etc.
Quando o jornal usa uma palavra decalcada do espanhol, ninguém percebe que os jornalistas também estão fazendo um tremendo portunhol. O portunhol só é percebido de duas formas: i) quando alguém usa uma palavra espanhola que não existe em português (ex: “lejos”) ou ii) quando alguém faz uso equivocado de falsos cognatos (ex: “rato”, “cubierto”, “apellido”).
 Outro dia, lendo uma tradução para o português de um livro russo, pude notar algumas palavras que a mim me soavam muito hispânicas. Provavelmente, o texto brasileiro poderia ter sido elaborado a partir ou com o apoio de uma versão espanhola. A bandeira da “cópia” ficou clara para mim quando li “joguete” no lugar de “brinquedo”. “Joguete” existe em português, mas não significa necessariamente “brinquedo” (o brinquedo de crianças).
Lembro-me também dos famosos episódios do seriado “Chaves”, que ficaram populares no Brasil na década de 80.
Muito desse tipo de portunhol lexical aparece nas falas dos personagens da vila.
Quantas vezes não ouvimos “dejejum” (cf. esp. "desayuno"), que inclusive dá título ao capítulo
"O dejejum do Chaves" (chamada) para designar “café da manhã”, tão mais frequente no português.
É assim que o contato entre as línguas funciona. E desencadeia todo um processo independente no idioma afetado. Depois que a moda está posta e a palavra está em voga, ela também está livre para seguir seu curso e “contaminar” outras partes da língua. Tanto é que vemos “resgatistas”, notadamente emparelhada a “socorrista”.
Será que o espanhol teria a palavra “rescatista”? Ou  seria melhor pensar que cada idioma, ou melhor, seus falantes têm sua relativa autonomia na língua, advindas tanto da sua história quanto de sua cultura? 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Calhordice

Aproveitando esse período de eleições, vou mostrar.lhes como se manipula um discurso de campanha através da linguagem, sobretudo, desde seu aparato formal.
O texto, escrito por Miriany Amaral, é uma resposta a um desses e-mails circulados no período eleitoral.


Mensagem veiculada por e-mail:


O Diário do Nordeste,CE, publicou, em sua página 10, de 8 de outubro de 2010, o seguinte: “CIRO: MISTIFICAÇÃO DO TEMA ABORTO É “CALHORDICE”. Primeiro, fez bem colocar a palavra entre aspas, pois é uma “CALHORDICE” do coordenador da campanha da senhora DILMA no Nordeste, pois a palavra não faz parte da língua portuguesa, pelo menos não está nos dicionários...;  e segundo, a senhora Dilma, em declaração pelo Jornal Bom Dia  Brasil, tratou do assunto referido e se ela é uma CALHORDA  não fica bem para seu correligionário classificá-la desta maneira.






AURÉLIO diz: calhorda é: “uma pessoa desprezível, impudente, ordinária e o HOUAISS afirma: “sinonímia de pulha”. O coordenador foi muito infeliz em sua expressão, pois além de atacar a sua candidata chamou, de modo grosseiro, bispos, pastores e todos aqueles que pensam que o ABORTO é um tema sério, pois pensam que se encontra em JOGO A VIDA.

Pela posição que ocupa, caberia ao coordenador da campanha da senhora DILMA pedir desculpas da agressão aos que combatem o ABORTO. Seria um ato de elegância.

Como o coordenador que foi escorraçado da eleição e agora volta, submisso, atrás de sobras  de cargos e postos chamaria então o Presidente da República que declarou ontem (7-out-2010) que a “POLÍCIA BATE EM QUEM DEVER BATER”:
“arbitrário, absolutista, autocrático, autoritário, cesarista, cesarístico, discricionário, ditatorial, dominador, dominativo, opressivo, opressor, prepotente, tirânico”? Ou seria apenas UMA “CALHORDICE” do presidente, o que o chamaria de modo grosseiro: uma pessoa ordinária.


A POLÍCIA NÃO É PARA BATER E SIM PARA PROTEGER O CIDADÃO.

O PEIXE MORRE PELA BOCA E O HOMEM PELA LÍNGUA.


***


Resposta de Miriany Amaral

Olá Sérgio!

Demorei a responder porque não tive tempo antes (e creio que nem terei agora) de responder devidadamente o texto que me mandou.

Para começar, quero comentar a respeito das considerações sem fundamento feitas sobre a palavra "calhordice"

Sou formada em Letras pela Unicamp e atualmente curso graduação em Linguística e nesse semestre em especial estou cursando uma disciplina chamada "Lexicologia e Lexicografia", que simplificadamente falando é o estudo das palavras de uma língua. Como especialista em Língua Portuguesa, eu posso garantir a você que a palavra "calhordice" existe sim na nossa língua. O fato de ela não estar no dicionário (aliás, tenho quase certeza que quem escreveu esse comentário consultou na verdade um minidicionário e não "o" dicionário Aurélio mesmo), não implica a não existência dela. Tome como exemplo a palavra "gostei". Se você procurar no dicionário não vai encontrar essa palavra, entretanto qualquer falante reconhece o significado dessa palavra numa frase como "Eu gostei do filme que vi ontem". Se procurarmos no dicionário comum (o mini), encontraremos apenas a palavra "gostar" que é o verbo na sua forma infinitiva, sem flexão.




Ora, como o próprio texto apontou, o dicionário Aurélio registra a palavra "Calhorda" que é um adjetivo. A partir de "calhorda", forma-se então (por um processo chamado derivação sufixal) o substantivo "Calhordice", a partir do acréscimo do sufixo "-ice" que serve exatamente para transformar adjetivos em substantivos. Veja os exemplos:

Adjetivo                      Substantivo
Chato                            Chatice
Idiota                             Idiotice
Babaca                          Babaquice

Que coincidentemente são todos referentes a formas de insulto. Teria muito mais a dizer a você para demonstrar a "autenticidade" da palavra "Calhordice", mas acho que já deu para comprovar a existência dela. Caso ainda não esteja convencido, me avise que eu e dou mais "provas", ok?

Em segundo lugar, como professora de redação e revisora de textos profissional, quero dizer que esse pequeno texto em letras grandes e em negrito tem graves problemas de coesão e coerência, a começar pela falta de inteligibilidade do primeiro parágrafo. Qual era a intenção desse trecho? Chamar Dilma de Calhorda? Dizer que o Ciro a chamou de Calhorda? Dizer que Eles chamaram de calhordas as pessoas que são contra o aborto? Seja lá qual era a intenção, nenhuma dessas foi bem sucedida. A começar pela interpretação equivocada da declaração MISTIFICAÇÃO DO TEMA ABORTO É “CALHORDICE”.

Ao fazer essa afirmação, Ciro não chamou ninguém de calhorda. A palavra "calhordice" nessa frase remete à palavra Mistificação. O que Ciro quis dizer, portanto, é que devemos tratar o tema "aborto" de modo objetivo ao invés de deixar as morais religiosas tomarem conta da discussão. Discutir o tema do aborto apenas por um viés moral/religioso é que seria, segundo Ciro, uma calhordice (e sabemos que ele tem razão, uma vez que retomemos a História e analisemos como foi difícil separar Estado de Igreja).

Além da interpretação inadequada, como tinha dito antes, o trecho tem problemas graves de coesão, tanto dentro do parágrafo como no texto como um todo. Um exemplo de problema de coesão dentro do parágrafo é o trecho "tratou do assunto referido" que, além de estar mal colocado, dificultando a leitura, é ambíguo por poder se referir tanto à Dilma quanto ao jornal. Outro problema é o trecho "e se ela é calhorda". Porque ela seria calhorda? Onde está dito isso no texto?

Tomando o texto como um todo, podemos observar que cada parágrafo trata de um assunto diferente e não "amarra" as informações. Sendo assim, fica difícil apreender qual era a intenção real de quem escreveu. O texto começa com a afirmação de Ciro, comenta a palavra "calhordice", e muda bruscamente de assunto fazendo uma associação errada entre a fala de Ciro e a pessoa da Dilma. No segundo "parágrafo"  vem a citação do Aurélio, que também está deslocada, uma vez que o tema calhordice já tinha ficado para trás e não é retomado posteriormente. E no final o texto termina com uma afirmação do presidente que não é sintaticamente relacionada com nenhuma das ideias colocadas anteriormente (mais um problema de coesão dentro desse parágrafo pela falta de definição do sujeito do verbo "chamaria")
Bom.. acho que eu já me prolonguei muito, embora ainda teria muitas incoerências e imprecisões a ser apontadas nesse texto.

Antes de repassar um email "sensacionalista" como esse, procure verificar o conteúdo do mesmo, porque este email é completamente vazio de sentido. A única coisa que dá para entender disso tudo é que você e/ou o autor desse texto pretende falar mal da Dilma, mas não sabe como fazer isso, então enfeita, floreia, enche de "blablablá", mas nãos diz coisa-com-coisa, o que alíás é típico dos Tucanos que usam a ignorância das pessoas para disseminarem informações falsas através do caráter apelativo que empregam em suas declarações.


Espero que você tenha paciência e inteligência suficiente para ler todo esse email, pois dediquei um bom tempo a ele e não gostaria de ter esse trabalho perdido.

Aguardo sua "réplica",

Miriany


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