quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Em convite: Análise crítica do filme 'A guerra do fogo' (1981) sob a perspectiva das teorias evolutivas da linguagem

Depois de muito tempo parado, o bloguinho volta com uma resenha do filme "A guerra do fogo" (Quest for fire), de Annaud.
Trata-se de um filme que levanta muitas questões filosóficas sobre como eram e evoluíram nossos antepassados. "A guerra do fogo" também pode ser discutida sob diferentes aspectos do conhecimento como a antropologia, a sociologia, a psicologia. Aqui, no entanto, Frederico Prado, um aluno do curso de Linguística da Unicamp, faz uma análise com foco em algumas teorias sobre evolução da linguagem.

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1) Informações gerais


A Guerra do Fogo (fr: La Guerre du Feu) foi um filme dirigido por Jean-Jacques Annaud, em cartaz no ano de 1981. O filme tornou-se, nas décadas seguintes, uma espécie de produção emblemática sobre a humanidade primitiva, normalmente exibido em escolas nas aulas de ciências naturais ou história para dar uma representação visual das condições de existência do homem pré-histórico. Além disso, obteve grande sucesso comercial e razoável sucesso de crítica.

O filme narra, ao longo de uma hora e quarenta minutos, a história de três integrantes de uma tribo de Homo neanderthalensis, que têm para si designada a tarefa de buscar fogo após a última chama conservada por sua tribo ter se apagado num incidente. Os três Neanderthais saem então em busca do fogo ao longo do território que corresponde hoje ao continente europeu. No percurso, passam por situações envolvendo a fauna selvagem e tribos hostis, além de interagirem com outras espécies do gênero Homo, em especial uma tribo de Homo sapiens, da qual uma integrante se assimila ao grupo de Neanderthais.

Estão presentes no filme três grupos identificáveis: i) duas tribos de Neanderthais ii) uma tribo de Homo erectus iii) uma tribo de Homo sapiens. No primeiro grupo, as duas tribos são apresentadas de forma semelhante: utilizam vestimentas rudimentares, organizam-se em grupos, utilizam ferramentas e armamentos simples (lanças de madeira, pedras afiadas) e desconhecem a técnica para criar fogo independentemente de fatores externos. O que diferencia a primeira tribo (a qual pertencem os três personagens principais) da segunda é que essa mantém o hábito do canibalismo, e mostra-se especialmente agressiva. O segundo grupo aparece brevemente nos minutos iniciais do filme, atacando a tribo do grupo de Neanderthais numa tentativa de obter o fogo que mantinham aceso. Os Homo erectus não trajam vestimentas, sua aparência é mais próxima dos primatas não humanos e não usam ferramentas, embora pareçam deter conhecimento suficiente para arquitetar armadilhas usando grandes rochas. O terceiro grupo, dos Homo sapiens, é extensamente exposto na segunda metade do filme. Não usam vestimentas, mas trajam máscaras e pinturas corporais. Tem conhecimentos de produção de remédios herbais e de objetos complexos (vasos, flechas, cabanas), além de apresentarem cultura e linguagem desenvolvidas e bem definidas. São o único grupo de humanos a dominar a técnica para produção de fogo. A maior parte do filme mostra o contraste deste grupo cultural e tecnologicamente avançado com os Neanderthais.


2) Linguagem


No que tange à linguagem, os assessores responsáveis pelo filme foram o linguista e escritor britânico Anthony Burgess e o sociobiólogo Desmond Morris. Burgess criou o idioma falado pelos Neanderthais, e Morris supervisionou a linguagem gestual utilizada pelos homens primitivos.

Ao longo do filme, os personagens de cada grupo se comunicam de formas distintas. Os Homo erectus não apresentam qualquer tipo de linguagem vocal ou gestual articuladas, produzem meramente vocalizações curtas para anunciar seu ataque.

Os Neanderthais da primeira tribo (não canibal) se comunicam ao longo de todo filme num idioma artificial criado por Anthony Burgess. O idioma parece baseado num conjunto misto de raízes lexicais saxônicas e latinas (indoeuropeias). Há raros momentos em que frases inteiras são articuladas, e o que predomina são enunciações curtas referenciais (os personagens vêem algo no ambiente externo, como fogo, e anunciam repetidas vezes a palavra correspondente).

Os Homo sapiens apresentam idioma complexo, expressando-se sempre com sequências rápidas de frases longas, aparentemente conectadas por subordinações. Detêm a capacidade de expressar emoções (há uma cena interessante em que a personagem Homo sapiens ri de um acontecimento, enquanto os Neanderthais não demonstram qualquer noção de senso de humor ou acontecimento humorístico) e de explicar processos externos.

Os Homo sapiens e os Neanderthais não falam idiomas mutuamente inteligíveis, mas ainda assim se comunicam repetindo sons, em alguns momentos fazendo gestos referenciais simples.

Na maior parte do filme, o que prevalece é a linguagem oral e as vocalizações simples. Mesmo os grupos com idiomas vocalmente pouco desenvolvidos se comunicam de forma primariamente sonora, são raros momentos em que há gestualização para expressão, e ainda mais raros os momentos em que a gestualização acompanha a linguagem oral. Os assessores do filme parecem não ter dado atenção para este aspecto da comunicação humana, ao menos não da forma que teorias mais recentes de evolução da linguagem dão.


3) Teoria evolutiva da linguagem


Teorias mais recentes que tratam da evolução da linguagem têm dado foco à comunicação não verbal de gestos manuais e faciais, afirmando a linguagem enquanto multimodal, em oposição à visão puramente oral da comunicação humana. Arbib [2] argumenta que foi a capacidade avançada de imitação humana (ligada a conjuntos neurais específicos funcionais, os neurônios espelho) unida à comunicação gestual que permitiu o desenvolvimento de protossignos para a posterior gênese da protolinguagem. Essa teoria vai diretamente contra as ideias de evolução direta da vocalização primitiva em primatas para a linguagem oral em humanos.

Corbalis [1] desenvolve a teoria numa tentativa de explicar mais a fundo como surge e se opera a linguagem gestual e, mais fundamentalmente, como se deu a passagem de gestos para oralidade na linguagem humana.

Segundo o autor, em um dado momento da pré-história humana, surgiram pressões para o emprego de estruturas linguísticas mais complexas, ligadas a narração de acontecimentos passados e o planejamento de feitos futuros (mental time travel), o que teve como consquência a emergência de estruturas gramaticais que iam além da comunicação simplesmente referencial. Igualmente, com o uso cada vez mais frequente de ferramentas, as mãos dos humanos primitivos foram se ocupando, e a gestualização manual foi passando gradativamente para a área da face e boca, e daí para a vocalização oral.

Os dois autores se encaixam dentro da teoria evolutiva da linguagem humana, sob a qual analisamos o filme "A Guerra do Fogo" com um viés crítico na próxima sessão.

4) Comentários críticos



Em "A Guerra do Fogo", a linguagem não é exposta como multimodal. Há momentos em que existe gestualização por parte dos personagens, como por exemplo quando o grupo de Neanderthais encontra animais para caça e passam a fazer movimentos com os lábios para indicar desejo por alimento. No entanto, essa presença de gestos não é consistente ao longo do filme, sendo mais pontual em raros momentos, e quase nunca concomitante às vocalizações. Os produtores do filme parecem ter optado por uma perspectiva unimodal da linguagem: ou os homens primitivos vocalizavam, ou faziam gestos.

Isso vai de frente contra as teorias expostas na sessão anterior. Numa refilmagem atualizada do longa, seria mais adequado, à luz dessas teorias, que os homens primitivos gestualizassem mais frequentemente para se expressar. A forma dessa gestualização também deveria ser diferente para os dois grupos humanos (sapiens e Neanderthalis), como veremos a seguir.

Os Neanderthais, como já mencionado, apresentam linguagem oral mais simples e curta, em que predomina o referencial, e não existe o narrativo. Seria esperado, portanto, que fizessem uso extenso de gestos para se expressarem, o que não ocorre. Pelo contrário, insistem na repetição vocálica primitiva, assemelhando-se a primatas. Diante do fato de que dominam outras áreas do conhecimento, como a fabricação de vestimentas e ferramentas, torna-se pouco coerente que sua linguagem se resuma a esse tipo de vocalização, especialmente levando em consideração que a fabricação de objetos depende em primeira instância da coordenação motora. Por que, então, a habilidade manual existe apenas para um tipo de tarefa (de manufaturar objetos) mas não para a linguagem, ainda mais essencial? 

No caso dos Homo sapiens, chama a atenção sua linguagem oral complexa e a presença de uma cultura desenvolvida. De certa forma, isso esta de acordo com as teorias evolutivas da linguagem: no filme, os Homo sapiens estão no estágio narrativo da linguagem, isto é, realizam a viagem mental no tempo na medida em que a cultural depende da capacidade narrativa. Nesse sentido, sua linguagem é gramaticalmente complexa e articulada, e primariamente oral, embora os personagens Homo sapiens sejam os que fazem uso mais extenso da linguagem corporal. Por outro lado, nas cenas emblemáticas em que ensinam os Neanderthais como fabricar fogo não há nenhum tipo de comunicação linguística. O que ocorre é a demonstração pura e simples: o Homo sapiens apenas realiza a tarefa na frente do Neanderthal, esperando que este aprenda por imitação.

Novamente, parece estranho que o grupo humano que tenha desenvolvidas as capacidades narrativas e explicativas não faça sequer uma tentativa de explicação da técnica de fabricar o fogo, tão crucial dentro do enredo do filme. Embora a cena seja talvez a mais interessante do filme, seria mais adequado que a personagem Homo sapiens ao mínimo demonstrasse gestualmente (ou numa união de gesto e oralidade) o que está fazendo, explicando o que é cada objeto envolvido na técnica, como eles se articulam.

Outro elemento incoerente se da na comunicação emocional que ocorre entre um dos personagens Neanderthais e a personagem Homo sapiens, que se envolvem amorosamente ao longo da trama. Deixando de lado as incongruências biológicas e antropológicas desse acontecimento, é importante observar que os dois personagens desenvolvem um sentimento afetivo complexo, que exige um raciocínio simbólico também complexo e, portanto, linguagem para compreensão e expressão dessa simbologia. No entanto, no filme a comunicação entre os dois personagens se opera raramente, e de forma vocal simples e demonstrativa. Mais uma vez é estranho que a capacidade de sentir afeição esteja separada da capacidade linguística de expressá-la e entendê-la. Numa possível refilmagem, seria mais razoável que as personagens comunicassem sua afeição por meio de uma linguagem gestual única desenvolvida pelos dois mutuamente ao longo da trama.

Por fim, numa das cenas finais, o personagem principal Neanderthal se une novamente a sua tribo, agora com a técnica de como produzir fogo aprendida com a Homo sapiens, e se põe a narrar todos os acontecimentos de sua jornada. Não é muito coeso que os Neanderthais que até então não articulavam frases inteiras tenham adquirido subitamente, sem nenhuma passagem do gestual para o vocal, a capacidade de narrar feitos passados. Nessa narrativa do personagem não há também qualquer linguagem de gestos, apenas a narração oral. Uma possibilidade melhor, sob a luz das teorias apresentadas, seria de apresentar os Neanderthais primeiramente se valendo de uma linguagem muito mais gestual do que vocal e, ao longo de seu contato com os Homo sapiens, iriam incorporando a vocalização aos gestos para expressar os ensinamentos e, nestas cenas finais, narrar sua jornada.



Referências:

[1]   Corballis, M. C. (2009). The evolution of language. Annals of the New York Academy of Sciences, 1156, 19-43.

[2]    Arbib MA, Liebal K, Pika S. (2008) Primate vocalization, gesture, and the evolution of human language.Curr Anthro-pol. 49(6):1053-63. 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Em convite: Extrapolando a visibilidade trans*: quem são as pessoas cis?


O texto de hoje é assinado pela Bia, é uma reflexão sobre o dia da Visibilidade trans, que é hoje, 29 de Janeiro.
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Quando falamos, ouvimos, lemos, escrevemos as palavras “homem” ou “mulher”, o que primeiro nos veem a mente? Quando encontramos esses termos nos jornais, telejornais, revistas, artigos, em programas de rádio ou em qualquer outro gênero discursivo (os diferentes “tipos” de textos ou formas de textos) o que eles querem representar? Quais sujeitos essas palavras referenciam no mundo? Certamente, um homem ou mulher “padrão” (a primeira imagem que nos veem a cabeça quando nos deparamos com esses termos) são, respectivamente, aquela pessoa que ao nascer, for designada como homem e como mulher a partir da identificação da morfologia genital. Então por que estou falando disso em 29 de janeiro, dia da visibilidade trans*? Porque pra gente entender a visibilidade trans*, precisamos primeiro entender quem são as pessoas não-trans*, as pessoas cisgêneras.
                Você provavelmente pode estar sentido algum tipo de desconforto (ainda mais se for uma pessoa cisgênera). Afinal de contas, que história é essa de pessoas que foram designadas com um gênero ao nascimento e que são cisgêneras? O que é isso afinal, que estranhamento é esse? As pessoas não simplesmente “nascem” homem ou mulheres e esse fato depende da existência objetiva de determinado sexo biológico?
                Não é tão simples assim. Pessoas transgêneras são aquelas cuja identidade atribuída ao nascimento não condiz com os seus sentimentos subjetivos e identidade de gênero. Ou seja, uma mulher trans* é aquela entendida socialmente como uma “pessoa nascida homem que quer virar/ser mulher” (e vice-versa para homens trans*). O movimento transfeminista, no entanto, irá problematizar a ideia de que alguém (não apenas pessoas trans*) nasça homem ou mulher. Inclusive irá apontar para a existência de vivências
que fogem do binário homem-mulher, o que chamamos de pessoas trans* não binárias. O transfeminismo, influenciado pelas discussões feministas, dos teóricos de gênero e da teoria queer, irá entender gênero de forma bastante distinta da usualmente usada pelo senso comum. Como dito anteriormente, o conceito de gênero/sexo é comumente tido como algo da ordem do natural, do biológico. Assim, supostamente as pessoas poderiam afirmar, através de evidências físicas/biológicas, sobre o gênero de alguém. É então que essa verdade, tão legitimada pela sociedade, é profundamente questionada, ao apontarmos que existem pessoas beneficiadas por esse sistema e outras que são marginalizadas.
                O gênero é agora entendido como uma construção social. Isso significa que não podemos entender o que seja gênero se não concebemos como os conceitos sobre “feminino” e “masculino” funcionam dentro de uma cultura. Isso significa apontar para como são acionados esses termos em relações de dominação. O feminismo historicamente vem denunciando a dominação das mulheres (cisgêneras) através da misoginia e machismo. Isso significou entender que antes de descrever verdades objetivas sobre sexo ou gênero, existiam formas de se compreender as mulheres como inferiores. O transfeminismo, mais recentemente, levando junto todo esse histórico de luta feminista, visa entender agora como pessoas trans* são oprimidas pelo próprio conceito de sexo, enquanto produtor de normas cisgêneras, assim como o feminismo fez e faz enquanto produtor de normas androcêntricas/misóginas. Como dito anteriormente, o conceito de sexo só “funciona” perfeitamente para pessoas cisgêneras. Pessoas transgêneras são vistas como uma exceção desagradável a essa lógica de que exista uma coerência necessária entre o gênero designado ao nascimento e o gênero efetivamente performado/identificado. Então, denominamos as práticas e ideias que fazem das pessoas transgêneras pessoas “erradas”, “falsas”, “doentes” e “abjetas” de cissexismo.
                Agora, portanto, não faz mais sentido falar em homens ou mulheres que “querem ser” mulheres ou homens, justamente porque mulheres trans* não são homens e nem homens trans* são mulheres. O que determina é a auto identificação da pessoa, como ela entende seu próprio gênero. Isso também significa respeitar as identidades que vão para além deste binário. Transexuais e travestis podem ser homens ou mulheres ou um entremeio desses dois conceitos. Não existe forma pré determinada como uma pessoa trans* - seja travesti, transexual, ou outra denominação – se identifique. E essa identificação não é necessariamente estática. Então, não pense que se pode presumir o gênero de alguma pessoa apenas por critérios físicos/biológicos. Na dúvida, pergunte como a pessoa gostaria de ser chamada. Isso demonstra que você está disposto a respeitar uma pessoa trans* e com isso não aumentar o coro com as constantes e infinitas vozes que insistem em deslegitimar as identidades transgêneras.
                Então, se agora sabemos um pouco sobre quem são as pessoas trans*, e quanto as cis? Qual é a importância de chamarmos as pessoas cis de cis sendo que elas são as pessoas “normais”? Simples: só entendemos alguma coisa – para então darmos “visibilidade” a ela – se soubermos exatamente o que ela não é. Na língua, já diria Saussure, o valor de um signo (ou palavra, se preferirem) só se dá a partir de relações negativas e diferenciais, ou seja, algo se define através do que “não é”. Sabemos o que é “homem” porque ele se opõe a “mulher” então só vamos entender o que vem a ser “trans” se entendermos o que é “cis”. E chamar uma pessoa de cis de “verdadeira”, “biológica”, definitivamente não é a mesma coisa de chamarmos ela de cis.
                Se continuarmos a usar esses termos biologizantes para nos referirmos a pessoas cis, iremos perpetuar uma lógica cruel e transfóbica, afinal de contas, as pessoas cis vão continuar sendo sempre as primeiras pessoas que nos veem a mente quando dizemos os termos “homem” e “mulher” e com isso, tornamos pessoas trans* “não naturais” e, portanto, próximas ao “errado”. Então para pensarmos a visibilidade trans* temos também que pensar numa espécie de visibilidade e reconhecimento do termo cisgênero. Assim, iremos cada vez mais tornando menos automático tomarmos os termos “homem” e “mulher” como necessariamente pessoas cisgêneras.

                Pessoas trans* só terão visibilidade concreta quando passarem de serem enxergadas como
exceções à categoria humana (como homens e mulheres e por extensão, humanas). Só teremos o reconhecimento da humanidade destas pessoas quando for cada vez menor a ligação entre esse sujeito padrão e universal com a pessoa cisgênera. Assim, a exotificação (quando vemos pessoas trans* sempre como a exceção à regra do que é considerado “saudável” ou “correto”) anda de mão juntas com a invisibilidade. E a linguagem é uma forma de manutenção dessa relação de poder (que produz visibilidades e invisibilidades) e, portanto, mantenedora de relações de opressão. Quando falarmos sobre “homens” e “mulheres” e não pensarmos mais automaticamente em pessoas cisgêneras é o passo necessário para que compreendamos a existência das pessoas trans* e com isso, a necessidade de se falar sobre a situação das pessoas trans*. É com a linguagem que tornamos possível reconhecer as reivindicações das pessoas, e assim, podermos lutar concretamente contra a transfobia e cissexismo.
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